Existe um certo grupo de pessoas que parece se sentir culpada por jogar vídeo games. Como a percepção do público em geral é de que esta é uma atividade anti-intelectual, uma das justificativas daqueles que se preocupam com o que os outros pensam é de que vídeo games são mais do que simples entretenimento: vídeo games são arte.

Desde que alguém inventou essa história isso é discutido em blogs, fóruns e outros locais onde pessoas que não têm muito o que fazer se reúnem. Até o Roger Ebert, aquele crítico de cinema chato, resolveu dar a opinião dele: games não são arte.

[observação antes de continuar: PUTA MERDA DEU PAU NESSA PORRA E EU PERDI MAIS DA METADE DO QUE JÁ TINHA ESCRITO, CARALHO!]

Errr… continuando, Clive Barker, o cara que criou Hellraiser e dois jogos de vídeo games: Undying, bem recebido pela crítica e Jericho, classificado por Yahtzee Croshaw como um “pirulito sabor porra“, tomou as dores e disse que sim, games são arte. Foi de novo aquele rebu e games são arte e não são e são sim e blá blá blá.

O problema é que toda essa discussão é uma grande bobagem inútil. Primeiro porque ao invés de ficar discutindo esse tipo de coisa, as pessoas poderiam usar esse tempo para produzir mais games; depois que a proposição nem faz sentido: games são arte? Games são um meio, portanto é óbvio que games não são arte. Ao mesmo tempo, como qualquer outro meio é óbvio que é possível produzir obras de arte através do meio vídeo game.

Um muro é arte? Não, mas é um meio para o graffiti e outras formas de street art. Brinquedos são arte? A priori não, mas hoje são um meio muito popular para o que no Brasil inventaram de chamar de toy art. Nome cafona e meio engrish, como todo termo inventando em inglês no Brasil (outdoor?!). Tá certo que a Pepsi, a Tim e outras corporações, através das empresas a serviço de Satanás chamadas “agências de publicidade” já estão prostituindo este meio, criando brinquedinhos toscos para adultos e chamando isso de toy art. Mas divago… voltemos ao assunto principal deste post que já está enorme, coisa que aliás eu não ligo, tá com preguiça de ler vai para o Twitter.

Com os games acontecem a mesma coisa. Nem todo jogo é ou será arte, mas existem jogos comerciais que possuem mérito artístico, como os exemplos mais do que manjados Ico, Shadow of the Colossus e Braid, que eu não vou nem linkar porque se você não os conhece… putz, se mata. Alguns criadores já levaram isso um passo além, criando jogos onde o valor artístico é mais importante do que critérios tradicionais de um vídeo game, geralmente preocupados principalmente com o entretenimento do jogador. É o caso de The Marriage e Passage, em que os autores usam o meio para criar obras de arte com algum significado maior (ou pelo menos tentam… baixe os jogos e julgue você mesmo).

No final das contas, quem quiser criar arte com os games que crie, quem quiser criar puro entretenimento, não sintam-se culpados, porque isso não é uma coisa feia. Cinema é um meio artístico, sem dúvidas, mas eu duvido que o diretor de Rambo 4, o próprio Sylvester Stallone, fique pensando muito a respeito do assunto. 

E pra terminar o assunto, um ótimo exemplo da integração entre arte e games… um lindo quadro de Brandon Bird.

NO ONE WANTS TO PLAY SEGA WITH HARRISON FORD

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